sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O fascismo do "Grândola Vila Morena"



Sophia de Mello Breyner cunhou uma expressão engraçada para classificar as tácticas inquisitoriais dos companheiros de estrada do PCPo "fascismo do anti-fascismo" . Esta intolerância de esquerda foi criada antes do 25 de Abril e, como é óbvio, conheceu o seu esplendor no PREC. Mas, volta e meia, a agressividade dos virtuosos reemerge. Nos últimos dias, por exemplo, têm caído alguns pinguinhos: meninos e meninas têm usado "Grândola Vila Morena" como forma de calar outras pessoas. Uma música criada para promover a liberdade de expressão foi assim transformada numa arma contra a liberdade de expressão.
Os novos cantadeiros do "Grândola Vila Morena" dizem que são anti-fascistas. Bom, sobre isso nada sei, mas sei que são bons aprendizes de fascistas. Têm todas as sementes do bicho. Em primeiro lugar, revelam uma total intolerância em relação ao outro lado; há que malhar na "direita" (assim mesmo: a "direita", um bloco compacto, monolítico, desumanizado, desprezível e espezinhável). Em segundo lugar, respiram e transpiram ódio, um ódio que escorre pelos cartazes, pelos rostos, pelas vozes. E, de forma mui fascista, esta malta tem orgulho nesse ódio. Aquilo que os define é o amor que têm pelo seu ódio, adoram odiar a "direita" ou seja lá o que for. Esta elevação do ódio à categoria de virtude é a marca do fascista, seja ele castanho ou vermelho. Em terceiro lugar, temos a consequência lógica das duas premissas anteriores: o culto da violência. Se a "direita" é espezinhável, se não vale a pena ouvir o outro lado, se o ódio é uma virtude que confere uma legitimidade superior, então a violência é legítima e não faz mal dar uns carolos no Relvas. Aliás, só faz bem dar uns tabefes no Relvas.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Bento XVI: a tristeza imensa de uma alegria ilimitada - por Nuno Serras Pereira


Levei várias horas a recompor-me da notícia inesperada da resignação do Papa Bento XVI. A tristeza, como que um luto abissal, que me invadiu não há palavras que a descrevam. Desde o meu noviciado, se a memória não me atraiçoa, em 1981 que os seus escritos alimentaram, confirmaram, robusteceram a minha Fé. A sua cooperação leal, corajosa e sintónica com o Santo Padre João Paulo II foi um prodigioso milagre providencial que salvou e fortaleceu a Fé e a Igreja no mundo inteiro, em especial no ocidente.

A sua admirável inteligência, a sua profundidade espiritual, a sua grandíssima coragem, a invulgar, mesmo genial, penetração teológica, o seu singular amor e fidelidade à Verdade, a extraordinária capacidade de diálogo, sem a mínima renúncia ao anúncio do Evangelho, a excepcional humildade, o seu amor inaudito por Jesus Cristo, a Sua Igreja e por todos os homens, tudo isto, e muito mais, garantem-lhe um lugar destacado na história da Igreja e, assim o creio firmemente, a futura canonização. Não há dúvidas que temos de dar muitíssimas Graças a Deus por nos ter concedido este Papa.

Mas apesar do meu intenso sentimento de orfandade, tenho a certeza firme que Bento XVI nunca teria resignado se não tivesse uma iluminação particular de Deus que o movesse a tal, para maior bem do mundo e da Igreja. Daí que a minha ilimitada melancolia se tenha transformado numa alegria imensa. 

É Deus que guia a Sua Igreja. Ele providenciará para que daqui advenha um maior bem para todos.

O que agora a Igreja quer, e seguramente o Papa Bento XVI o deseja com todas as veras, é que todos os católicos rezemos ao Espírito Santo implorando-Lhe que ilumine os Cardeais eleitores para que seja escolhido aquele que Ele quer como sucessor de Pedro e Vigário de Jesus Cristo na terra.

Uma última palavra sobre este Papa e o dia que hoje vivemos. Faz hoje, dia de Nossa Senhora de Lurdes - a Imaculada Conceição -, 6 anos que a maioria dos portugueses, que foram às urnas, votou criminosa e ignobilmente a liberalização do homicídio, em forma de aborto provocado, dos mais inocentes, vulneráveis e indefesos. Desde então só ao abrigo desta “lei” infame e abominável, sem ter em conta os clandestinos que continuam a proliferar, já se dizimaram oitenta mil portugueses. Esta tragédia inominável revela com uma clareza meridiana o elevadíssimo grau de demência suicido-parricida a que chegamos. Depois espantam-se com o aumento exponencial quer de suicídios de mulheres, quer de mães que assassinam brutalmente seus filhos já nascidos para logo em seguida se matarem.

Ora neste breve Pontificado de Bento XVI - coisa que é, sabe-se lá porquê, habitualmente silenciada nas conferências, palestras e debates sobre o seu Magistério - a quantidade e alta qualidade das suas intervenções sobre a defesa da vida é verdadeiramente impressionante.

De importância semelhante são as numerosas intervenções que fez quer como Cardeal quer como Papa em defesa do Crucifixo (Crucificado) no espaço público. Por isso parece boa-ideia homenagearmos o ainda Papa Bento XVI dependurando das janelas e varandas das nossas casas o estandarte de Cristo para o Ano da Fé.


11. 02. 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Bento XVI anuncia a decisão de deixar o cargo. Sede vacante a partir de 28 de fevereiro. Eleição do novo Papa em março

Eis as palavras com que Bento XVI anunciou a sua decisão:

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.




"Creio, creio creio!

Na Igreja Una
   Santa
Católica e 
Apostólica"


VIVA O PAPA!!!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DOM DUARTE, O REI QUE "IRRITOU" MARCELLO CAETANO




A família real esteve exilada desde 1834 e só foi autorizada a regressar a Portugal em 1950.
Duarte, da parte do pai, e Pio, da parte do padrinho, o Papa Pio XII. Dom Duarte Pio, Duque de Bragança, nasceu no estrangeiro, mas em território português: "Pela lei da monarquia só pode ser Rei de Portugal alguém que nasceu em Portugal e que seja português. Para assegurar essa hipótese, os meus pais conseguiram que a minha mãe ficasse instalada na Embaixada portuguesa, em Berna, e foi lá que nasci". A Família Real esteve exilada desde 1834 "após a vitória do exército liberal que invadiu Portugal e que derrotou o exército português e exilou o Rei Dom Miguel". Mais tarde, em 1910, "foi o exílio de Dom Manuel II". Apesar da Família Real ter demonstrado, por várias vezes, vontade de regressar a Portugal, só teve autorização para o fazer em 1950: "A Assembleia Nacional tinha bastantes deputados monárquicos. O governo não queria retirar o exílio, mas o grupo de deputados monárquicos lançou a proposta e acabou por ganhar".
O regresso só aconteceu três anos depois porque, apesar do governo ter aceite, ia dizendo "não venham já". Dom Duarte tinha oito anos quando chegou a Portugal e recorda com "grande emoção" os "três ou quatro dias de viagem de carro": "Tenho outra experiência menos agradável! Quando chegámos a Gaia, fomos comidos pelos mosquitos nas primeiras noites e a minha mãe foi buscar o véu do vestido de noiva e transformou-o num mosquiteiro para cobrir as nossas camas."
Ficaram "muitos anos" instalados na Quinta da Boavista, em Vila Nova de Gaia, propriedade da Condessa da Covilhã, porque não tinham onde ficar: "Quando o Rei Dom Manuel II morreu, o Estado expropriou as nossas propriedades de família e transformou-as numa Fundação". Mais tarde, "por instruções do governo, a Fundação passou a pagar uma quantia" à Família Real "e arranjou uma casa perto de Coimbra": "Era um antigo convento que foi restaurado e que o meu pai achava muito pouco prático porque gastava-se muito em aquecimento. E a minha mãe sofria muito com o frio porque era brasileira e não estava habituada."


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